Sábado, 27 de Junho de 2009








Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Francesca Woodman






Sim porque é possível liquifazer-se.  Sim porque eu também já morri. Sim eu busco. Sim eu fujo. Sim em mim, de corpo inteiro, generosamente. Sim a arte me parte. Sim, uso colo Pritt. Sim eu aceito. Sim a verdade aparece. A resposta é sim. Para todas as dúvidas, sim.  Sim, eu aceito uma cerveja. Sim sou um erro de Paralax. Sim porque sim. Sim hoje é um dia especial. É com honra que reconheço que não escolhi. Numa espécie de ordem cósmica das coisas as coisas simplesmente aconteceram assim. Sim como eu queria. Vai ver que é porque  sim eu escolhi sim. Ou não, pois sim. Mas agora há silêncio e eu preciso ouvi-lo. Sim, é um abrigo no peito. Sossego. Deitar na areia morna. Ter olhos de grandes olhos abertos. Saber piscar devagarinho.  Ser mulher é um jeito de saber o mundo. Sim eu me sento no canto com um sorriso no canto do rosto e longe daqui sou o centro de tudo. Derreter sem corpo sou tudo que te escapa. Encarar o obturador e sou tudo que te escorre. Sim que derrama no assoalho, infiltração em ti. Sou praga devastadora que te consome sem ruídos. Sou porque na verdade não posso ser. Só reflexo aflito vivo um conflito. Não sou boa companhia, já aviso. Me deixe ali naquela esquina. Sim, eu aceito outra cerveja. E te espero no balcão com sorriso para estranhos. Já de olhos cansados do fundo do mar. 



Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Delírio.delírio.delírio. sem ópio nem morfina. derramando na veia o amor que ama amando demais. transbordando. ando ando ando em campos de papoulas que não acabam mais. fui longe, bem longe daqui ou mais tarde. vi tudo ainda além e sorri. desamarrando os nós pois amo errando demais. totalmente. ternamente. tragicamente. amo em tom de alforria. amo em transe de tambor. amo em vermelho de exílios. amo em cítaras ciganas. amo em outras vidas. amo de vertigem e coragem. amo logo de cara. amo com filho e cuía. amo de alma e arrepio. amo de segredo público. amo em delírio.delírio.delírio.

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Two

Sim, é possível um belo recomeço
virar tudo do avesso 
do eixo
do eu
do oco
roer o osso
lamber os beiços beijos becos
ser bom a beça
viver no precipício isso isso isso
quem gosta de abismo
tem que ter asas

Sim, tudo novo de novo em folha zero zerinho. olhar o seu olhar e me ver. reflexo convexo de fluxo. eu sempre sempre sempre aqui. entre a prateleira. cinema europeu e drama. tesão. balcão e chão. chave e geladeira. filho precipício do início. ladeira a baixo. alma lavada. e eu sempre sempre sempre aqui. entre a geladeira. realidade e ficção. paixão. pia e colchão. amor e fila do pão. eu sempre sempre sempre lado a lado. contra a parede, contra a corrente, contra a maré. cavalo alado. infinito infiltrado. você como meu amado. sempre sempre sempre. de novo.
 




Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Por aqui infinito

Por aqui tudo serras da desordem na terra do caos e cañas.
Por aqui um jeito manso de piscar os olhos. de discordar do mundo. de disfarçar dos outros. de passar batido.(tomara que ninguém perceba que vim de longe para estar aqui.)
Por aqui ficção para viver o que realmente é. Por de trás das câmeras as pernas cruzadas sob a saia arriada.
Por aqui viver uma espécie de off hediondo e profano.
Por aqui um jeito de entortar a boca mordendo o lábio.
Por aqui blackout.
Bang Bang.
Por aqui a menor expressão de cada gesto para dizer o que não é dito.

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

     Dela, herdei o gosto por samba-canção. 
   Sentada na máquina de costura, cantava centenas de vezes o mesmo refrão. Eu encarava assustada a capa do LP que girava na vitrola. Eram grandes e dramáticos olhos. Foi assim, meio com medo, que conheci Maysa.
   Os discos cheiravam a mofo e a maresia, ao mesmo tempo. E eu adorava o barulhinho da agulha rangendo no vinil. Orlando Silva, Nelson Gonçaves, Doris Monteiro, Lucio Alves, Braguinha, eram tantos que mal cabiam nas férias que eu passava com ela, minha avó. 
   Dick Farney era o homem mais lindo do mundo, confessávamos uma para a outra. E eu sabia, quando escolhia o disco de Elis, que ela ficaria com os olhos cheios d'água. Aliás, a única vez em que a vi chorando foi na morte de Elis Regina. Cantora essa que evitei um bocado na infância e que só me permiti resgatá-la há pouco tempo, não também sem chorar, herança genética.
   O que eu gostava mesmo eram das marchinhas de carnaval, Lamartine Babo, Pixinguinha, Cartola, Ary Barroso. Que delícia, ela deixava eu vestir seus vestidos longos e colocar todos os colares de seu armário. Vaidosa que só ela, sua coleção de brincos e afins, broches e maquiagem era imensa, e to-di-nha minha nesses momentos. Eu dançava vestida de Carmem Miranda até doer o pé. E ela me contava histórias e histórias de Carnaval, e todos os bafos envolvendo as cantoras do rádio, as brigas de Linda e Dircinha Batista.
   Ela me levava para os bares de Santos, onde sempre tinha um violão e eu podia cantar "Carinhoso" e "Conversa de Botequim" ( Seu garçom faça o favor de me trazer depressa...) para surpresa de todos. Depois de algumas caipirinhas ela ía para uma boate chamada "Chão de Estrelas" numa referência explícita a Silvio Caldas. Mas lá eu não podia entrar. E eu ficava então a imaginar toda a sorte de coisas que acontecem num lugar com esse nome. 
   Hoje eu sei que ela não pisava nos astros distraída, pois sabia que a ventura dessa vida, é a cabrocha, o luar e o violão.


Domingo, 22 de Março de 2009

A guinada


Já sabia que seria assim. Havia um furacão rondando.
Mas quando chegou foi como um suave sopro.












Sexta-feira, 13 de Março de 2009

futebol e amor


Cada dia de escanteio, cada impedimento.
Toda bola fora.
Cada bolada na cara.
Toda derrota amarga.
Tudo que vivi valeu a pena para levar meu filho na primeira aula de futebol.
Instintivamente ele entendeu  a coragem de um chute.  
E me deixou toda orgulhosa na arquibancada.






Domingo, 8 de Março de 2009

A vida é a arte da apropriação





Amy Winehouse



The Ronettes



Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

sobre a arte de ser gladiador e saber tirar proveito disso, e não estou falando da horrenda sandália homônima



Li isso num blog:
"Há confrontos que nada trazem de poderoso, a não ser uma provação que passadas as primeiras curiosidades será logo ridícula."
E fiquei pensando, seja lá o que aconteça na vida das pessoas, a tal provação deveria ao menos deixá-las mais bonitas. No mínimo mais magras. Mais inteligentes seria pedir demais? Menos fútil já estaria de bom tamanho...
Sei lá, tem gente que se contenta com tão pouco que me dá aflição.

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009








Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

dance me to the end of love ou que dilema de hamlet que nada


A mão que amassa o pão. que mata. que muito.
É tudo fluxo.
queria mesmo era esse luxo.
marido e filho brincando de massinha na cozinha.
Se quiser eu desembucho.
queria mesmo era voar até o Índico.
ir pra Bali e seguir o velho bruxo.
comer o pão que o diabo amassou.
marido e filho dependurado nos utensílios de cozinha.
Queria mesmo ser quem eu sou. 

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Um dia da caça... o outro da pesca.
Tô cansada de acreditar. de vagar pelo mundo como um lugar simpático.
Hoje eu queria te encontrar. Sentar e sentir ânsia.
Poder reclamar como se isso fosse poesia útil.
Hoje eu queria ter aquele olhar de lobo que devora tudo.
Mas junto com a calma veio também um cansaço.
Até mesmo para ir ao teu encontro.
E então você chegou.

Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

H.H

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas buscando aquele outro decantado surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo toma-me o corpo.
E que descanso me dá depois das lidas.
Sonhei penhascos quando havia o jardim aqui ao lado. 
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo ao invés de ganir diante do nada.

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008



Diante do medo um sorriso aeróbico
Nas bochechas a caimbra de uma alegria incompleta
nada como um sorriso burro e paranóico
Para não perceber a velocidade terrível da queda.